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Punta Arenas

09.08.2019

        Saímos de Rio Grande com um dia cinzento e muito frio. Todo o caminho feito sem trânsito algum, com a estranha sensação de que só tinha a gente no mundo nesse dia. 

        Nessa nossa segunda travessia pelo estreito nós tivemos de aguardar bem uns vinte minutos pela balsa. Já embarcados, percebi algo que já está se tornando comum nessa viagem, cada um olha para nosso equipamento e cobra de um jeito, quer seja em pedágios quer seja no ferry. O preço que pagamos dessa vez foi diferente do primeiro trajeto, e não adianta argumentar, o jeito é pagar e seguir em frente.

      Justo ao nosso lado parou um caminhão cheio, lotado, abarrotado de cordeiros. O sentimento que tivemos no momento que olhamos para o caminhão foi horrível. Ver todos aqueles animais ali espremidos nos olhando, e a gente sabendo que seriam sacrificados em breve, doeu bastante. Cordeiro assado é um dos pratos principais da culinária fueguina (da Terra do Fogo), é bem famoso nessa região, mas não foi algo que quisemos provar. Diferentemente da primeira travessia, que fizemos durante a noite e com chuva, esse nosso trajeto foi diurno e sem precipitação. Arriscamos tirar umas fotos numa passarela lateral da balsa, mas o vento não estava colaborando com a gente, estava muito gelado. E para falar a verdade, o visual do estreito de Magalhães não tem nada de especial.

           A estrada entre Punta Delgada e Punta Arenas é basicamente um nada de um lado e um nada do outro. A estrada é um tapete, mão dupla, acostamento mequetrefe, mas sem nada de interessante entre as localidades. Bom, foi daí que surgiu um probleminha, já que não havia abastecido os galões extras da carreta em Rio Grande. Com o vento entre moderado e forte bem de proa (de frente, nos segurando), nosso consumo de combustível aumentou consideravelmente. Começamos a fazer cálculos e a procurar postos nos mapas e aplicativos que tínhamos. O que apareceu no aplicativo não se confirmou na realidade, ou seja, tivemos de rezar até conseguir chegar na cidade. Erro meu, mas conseguimos chegar. O ruim disso tudo é que não podíamos nem parar para fazer foto, ainda que isso só foi fazer diferença na entrada da cidade, quando avistamos muitos pássaros, principalmente cauquenes.

        Punta Arenas foi nosso primeiro contato com posto de combustível no Chile nessa viagem. Surpresa foi descobrir que aqui só existe um tipo de diesel, o chamado diesel ultra.  Brasil, Uruguai e Argentina tem sempre dois tipos de diesel (diferença na pureza), o S500 e o S-10 no Brasil, o Euro Diesel, Podiun ou Nitro V-power na Argentina e o 10S no Uruguai. Surpreendeu-nos também o preço. Esperávamos um preço bem mais alto que na Argentina mas não, o diesel é bem mais em conta em Punta. 

        Assim como fizemos em Ushuaia, também decidimos ficar em Airbnb na cidade. Isso porque tínhamos decidido nos desfazer de uma mala carregada e aproveitaríamos um amigo que estava passando por ali e retornaria dias depois para o Brasil. Precisávamos de tempo e espaço para descarregar carreta, reorganizar e despachar aquilo que achamos não ser mais necessário, por isso a opção de Airbnb. Deu trabalho. 

        Punta Arenas tem como grande atrativo a zona franca, com uma diversidade grande de lojas e produtos, de loja de perfume até loja de carro. É considerado um bom lugar para comprar pneus. Eu fiquei impressionado com o preço das motos. Tudo muito em conta. Nós não gastamos muito ali, aproveitamos para comprar alguns itens para o carro, um perfume que tinha acabado e só. 

         Uma coisa que tenho de comentar é que esta não é a primeira vez que visito a cidade, na verdade é a terceira oportunidade. Estive anteriormente cumprindo missão pela Força Aérea, portanto, uma das características de Punta Arenas eu já conhecia bem, a mudança rápida de clima, os ventos fortes, a chuva e o frio. Diferentemente de quando se vem de avião em viagem curta, agora estávamos em uma grande aventura, e uma coisa que chamou a atenção quando caminhamos pela cidade foi a diversidade de frutas, algo que não estávamos mais acostumados na Patagônia argentina. Eu particularmente virei criança no mercado. Aproveitei inclusive para comprar uma fruta que nunca havia visto antes (experimentei e não achei que vale a pena, mas infelizmente não recordo o nome dela, mas para facilitar a identificação, a foto está aí abaixo. Rsrs). E falando de mercado, esperava tudo mais caro após atravessar a fronteira, mas não é bem assim. No geral a vida é mais cara no lado chileno, mas encontra-se coisas bem em conta comparando com a Argentina. Uma delas é o azeite, mais barato no Chile. Lamentavelmente o vinho com preço muito bom mesmo só na Argentina, nada comparado ao nosso Brasil, mas o vinho chileno sai mais caro que o argentino em média. Mas caro mesmo é pó de café, ficamos impressionado com o preço do café, coisa de trinta e cinco reais o quilo. Agora algo que se deve levar em conta é, caso o destino depois daqui seja Tores del Paine, o melhor lugar para se fazer mercado e comprar suprimentos para passar os dias no Parque é em Punta Arenas. Não deixe para comprar em Puerto Natales, caso o faça, além de menos opções, pagará mais caro por lá.

          A cidade foi, até a abertura do canal do Panamá, o principal porto de ligação entre os oceanos atlântico e pacífico, o que fez dela um grande centro comercial e também um importante ponto estratégico no continente. Tanto é que a cidade possui bases militares grandiosas, do exército, marinha e aeronáutica. Para se ter idéia da relevância de Punta Arenas, ela representa hoje a segunda cidade em qualidade de vida no Chile e a segunda em renda per capital do pais. É importante também como porta de saída para toda logística antártica mundial. Vários países têm Punta Arenas como base para suporte logístico de suas instalações no continente antártico. Brasil é um deles. 

         Punta Arenas tem como uma de suas belezas os murais que existem espalhados próximo a avenida costeira. Lindas pinturas. Esses murais ficam próximo do porto, do mercado municipal e junto ao letreiro da cidade, no Muelle Prat. E tudo isso próximo do centro da cidade que é muito bem servido de lojas, mercados, farmácias e etc., afinal de contas estamos falando de uma cidade de mais de cento e trinta mil habitantes. Ademais disso, outra coisa bem legal é avistar a cidade do Cerro La Cruz com suas casas coloridas como se fosse um grande mural, ou passear pela praça do centro da cidade, a Plaza de Armas ou Plaza Muñoz Gamero,  onde se encontra o monumento em homenagem a Fernão de Magalhães e onde também existe a estátua do índio Selknan cuja tradição diz que, beijando seu pé você volta a Punta Arenas. Tradição essa que ficamos sabendo que até o Rei da Espanha já participou. Nós fizemos nossa parte, bem, eu fiz lá em 2004 e já estou na minha terceira vez na cidade, então....

 

 

        Numa das idas e vindas na zona franca acabamos avistando um grupo de golfinhos junto a orla, muito legal, mas infelizmente um pouco distante para as fotos do calçadão. Não conseguimos boas fotos deles, em compensação, passamos um tempo fotografando e admirando os "cormoranes", ou corvos marinhos, que existem aos montes aqui (Cormorán Imperial). 

        O tempo que passamos aqui foi muito bom, principalmente por poder dormir numa cama em um quarto quentinho, mas a vida tem de seguir seu rumo. Com mala despachada de volta ao Brasil e mais espaço na carreta, partimos em direção àquele que prometia ser um dos pontos mais top na viagem, Torres del Paine.

 

 

 

 

 

 

 

 

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