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El Chaltén

10.09.2019

              Saímos de El calafate cedo e pegamos a Ruta 40 Norte.  Até chegar no cruzamento que leva a El Chaltén pela Ruta 23 rodamos aproximadamente 128Km. O caminho até o povoado de El Chaltén é simplesmente deslumbrante. Lagos esverdeados, montanhas geladas, há vários pontos  de parada, mirantes, para curtir as paisagens que são de tirar o fôlego, em um deles até um grupo de raposas vimos, bem legal. Uma pena que chegamos com um pouco de nuvens cobrindo o Cerro Fitz Roy. Mas ainda assim o visual é fantástico. Chega a ser chato a quantidade de adjetivos para falar sobre este povoado, mas é que realmente fica difícil tentar descrever o que vimos, mas sem sombra de dúvidas uma das estradas mais lindas que já passamos.

         El Chaltén é famosa por ser considerada a capital argentina do trekking. O povoado é bem pequeno, não tem nem mil habitantes,  por isso antes de ir para lá é importante se abastecer em El Calafate, pois as opções não são tantas e os preços tendem a ser bem mais caro, ou seja, se em El Calafate achamos tudo caro, em Chaltén fica bem pior… nem só de belezas vivemos na viagem!

         Paramos no estacionamento em frente ao centro de informações turísticas, local que decidimos pernoitar, e fomos pegar instruções sobre o que poderíamos fazer pelas redondezas. Demos sorte de já haver um grupo de turistas recebendo um briefing, uma sinopse da região, justo quando lá chegamos.

         Junto a este centro tem um ponto de abastecimento de água da montanha, bem legal isso. A informação que tínhamos era de que essa água era boa inclusive para beber, mas não bebemos dessa água, nós a usamos para cozinhar, e também aproveitamos para abastecer a carreta. 

           O estacionamento em que estávamos encheu rapidamente durante a tarde, gente de tudo quanto é canto, até placa de Washington rolou.  Além de gente que vem para passar uns dias na cidade, reparamos que há pessoas que passam somente o dia, aproveitam para um pick-nick com o belo visual do Fitz Roy. De frente para o estacionamento, cruzando o rio, há um imenso paredão em que vimos pessoal fazendo escalada durante todo o dia. Aparentemente rola grupos de instrução de escalada também.

      Enquanto preparávamos nossas coisas para poder fazer uma caminhada, um tatu vasculhava o que encontrava pelo caminho atrás de comida. Quase pegou a mochila de um cara que estava brincando com os filhos de frente para gente. Bem louco. Rodeou nosso carro também mais tarde enquanto preparávamos comida na carreta. Tatu ladrão de comida foi a primeira vez que vimos.

           Como Fernanda não podia fazer trilha, eu fui com o @Asabranca fazer duas que eram próximas do estacionamento, sem grande esforço. Visual bacana da cidade, alguns pássaros no caminho, incluindo uma Águia Mora, mas nada tão espetacular. Final do dia fizemos nossa janta e fomos dormir cedo, não tem luz na área de estacionamento, ou seja, um breu total (aqui vale o lembrete que já estávamos dormindo dentro do carro fazia um tempinho, desde Punta Arenas mais especificamente). E foi esse o dia que mais sentimos frio. Segundo informações locais, a temperatura chegou a zero grau e a sensação térmica estava em menos quatro. Só sei que no meio da madrugada acordei com o rosto congelando. Tive de me enfiar todo dentro do saco de dormir para conseguir sobreviver, e ainda coloquei touca na cabeça. Fernanda que é mais friorenta sofreu um pouco mais. 

            Na manhã do dia seguinte partimos (eu e @Asabranca) para fazer a trilha Mirador del Cerro Torre,  uma trilha um pouco mais forte pela sua duração, mas bem tranquila segundo nos haviam informado no centro de turismo. Pedi informação a uma pessoa no local que acreditávamos ser o início da caminhada e acabei descobrindo que perguntava para um brasileiro. Na verdade foi ele quem me reconheceu pelo sotaque (meu espanhol é sofrível). Essa caminhada é legal, mas fica aquele gostinho de quero mais porque a vista do cerro é muito distante. E para variar o tempo estava meio encoberto. Enfim, enquanto tirava fotos dali o brasileiro que pedi informações antes também estava no mirante, dessa vez com a esposa, e começamos a conversar. Foi quando descobri que o mundo é realmente um ovo. O casal, Diego e Juliane, trabalhavam exatamente em locais onde trabalhei nos meus últimos anos. Tínhamos vários colegas em comum. A Juliane morou inclusive com uma das subordinadas que tive no meu último ano de Força Aérea. É muita coincidência. 

       Trekking realizado, voltamos para o estacionamento a fim de preparar algo para comer. No caminho para o estacionamento demos uma parada em uma panaderia onde compramos uma baguete. A ideia era fazer um sanduíche para  o final do dia e foi aí que, pela primeira vez nesta viagem, podemos dizer que uma atendente de padaria era/estava mal humorada. Até aqui não podíamos fazer qualquer comentário negativo quanto a atendimento na Argentina, mas ali podemos afirmar que a guria tinha problemas com ela mesmo, estava num mal dia. Mas faz parte, quem não tem aquele dia em que não deveria ter saído da cama?

              Enquanto almoçávamos discutíamos se valia a pena ficar mais tempo na cidade. Existia uma previsão de piora da meteorologia durante o dia seguinte, além do frio absurdo que permaneceria. Aliado a isso, a trilha que valia a pena era tão ou mais pesada que a de Torres del Paine, e ainda estávamos de certa forma cansados para realizar uma nova caminhada de 20km (eu e asa-branca, Fernanda nem pensar em caminhar com as unhas ferradas). Então, depois de uma boa reflexão, resolvemos partir e deixar esse trekking da Laguna de los Tres para uma outra oportunidade, afinal de contas, é uma trilha muito pesada e que tem um visual que vale muito a pena fazer em um dia perfeito ( o nível de dificuldade dessa trilha é igual ou pior que a deTorres Del Paine).

             Decididos continuar viagem e aproveitamos para abastecer antes de deixar a cidade, e aqui cabe uma observação importante; El Chaltén tem um único posto de gasolina, que parece mais um contêiner, que além de nem sempre ter diesel S-10, só aceita dinheiro. 

      Deixamos El Chaltén com destino a Tres Lagos, cento e vinte quilômetros pela Ruta 40 norte. Como o dia tem muito tempo de céu claro, conseguiríamos chegar com bastante folga no posto. A idéia era pernoitar num YPF que vimos no IOverlander. 

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